Trump resgata ‘nova Doutrina Monroe’ e transforma queda de Maduro em recado direto à China

Trump resgata ‘nova Doutrina Monroe’ e transforma queda de Maduro em recado direto à China

A ação militar dos Estados Unidos que resultou no bombardeio de Caracas, na remoção de Nicolás Maduro do poder e em sua prisão é interpretada por especialistas como um marco de uma nova fase da histórica Doutrina Monroe, agora sob a liderança de Donald Trump. A acadêmica britânica Grace Livingstone, autora de livro sobre o tema, afirma que se trata de um “corolário Trump” — também apelidado de “Doutrina Donroe” — em que Washington abandona o discurso de defesa da democracia e assume de forma explícita a proteção de seus interesses econômicos e estratégicos na América Latina.

Nova leitura da Doutrina Monroe

Segundo Livingstone, a ofensiva na Venezuela representa uma reafirmação aberta do poder dos EUA no hemisfério ocidental, com a mensagem de que o país está disposto a usar força militar e outros meios para garantir governos “amigáveis” na região. A própria Estratégia de Segurança Nacional do governo Trump menciona a Doutrina Monroe e fala em “restaurar a preeminência americana” e em negar a potências externas o controle de ativos estratégicos na América Latina.

De democracia a interesses econômicos

A analista sustenta que, diferentemente de versões anteriores da doutrina, os EUA já não procuram justificar intervenções como defesa do Estado de Direito ou do sistema internacional, mas sim como defesa direta de seus interesses. No caso venezuelano, ela considera pouco convincentes as alegações de combate ao narcotráfico e aponta o petróleo e outros recursos estratégicos como motivação central, ressaltando que Trump fala em “nosso petróleo” ao se referir às reservas do país latino-americano.

Recado direto para a China

Um dos elementos centrais dessa releitura é o destinatário da mensagem: se no século 19 o alvo eram as potências europeias, hoje o principal “concorrente não hemisférico” é a China, que ampliou fortemente investimentos e laços comerciais na América Latina. Livingstone afirma que Pequim é vista por Washington como a maior ameaça e o maior competidor, e que a ação na Venezuela funciona como aviso para afastar a presença chinesa de setores estratégicos na região.

Disputas internas em Washington

A especialista descreve também divisões dentro do próprio governo Trump sobre como lidar com a América Latina. Enquanto figuras como o senador Marco Rubio defendem uma agenda mais ideológica de mudança de regime, Trump estaria focado em garantir que governos aceitem as imposições de Washington, priorizando resultados práticos e acesso a recursos para empresas americanas.​

Possíveis novos alvos e impacto regional

Livingstone avalia que a lógica desse “corolário Trump” não se limita à Venezuela e pode se estender a outros países do continente. Ela lembra ameaças públicas dos EUA contra a Colômbia e Cuba, bem como a influência americana em processos políticos recentes na Argentina, sugerindo que a Casa Branca pode buscar intervir de forma direta ou indireta em outros contextos na região.

Reações internacionais e riscos

A operação contra Maduro provocou forte reação de aliados de Caracas, como China e Rússia, que classificaram o ataque como grave violação da soberania e do direito internacional. Analistas alertam para o risco de um período prolongado de instabilidade e violência na Venezuela, com possíveis impactos sobre países vizinhos e aumento de tensões entre Washington e potências que disputam espaço na América Latina.

Richard Valdivia

Mestre pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). É editor e redator desde 2014 de diversos canais na internet. Entusiasta de novas tecnologias, mídias sociais e empreendedor digital. Nômade Digital na prática, está sempre em busca de novos desafios, como programar para plataformas emergentes.

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