Comunicar, comunicar o que ?

Comunicar, comunicar o que ?

É um grande perigo a comunicação mal usada. Com tantos recursos e instrumentos de comunicação, a responsabilidade do educador se amplia. Quem escuta, vê e lê o que se fala ao vivo, olho no olho, é uma coisa. Tem entonação, sinais faciais, nuances, ritmo, timbre, gestos, emoção e tudo isto é poderoso para dar o tom, a direção, a intenção, a compreensão. Quando se passa uma mensagem virtual, o que recebe, dá a interpretação dele, jamais igual a que saiu, porque ao chegar lá é travestido pelo olhar cultural, não mais do próximo, mas do outro.

A Era da metainformação que se iniciou no Éden sempre foi e será uma faca de dois gumes. Depende de quem a usa… O que se vê hoje é a mesma apologia do mal; do feio; do indigno; das compulsões, do transtorno, também generalizado na tv a cabo do mal e usado para solapar, para semear a dúvida e tirar a esperança. Pode-se reverter pela educação. Não com a educação adotada para emburrecer e encurralar. De modo quase comum é assim: faltam eleitores no curral? Então, mãos à obra para produzir mais… As metodologias que compliquem a alfabetização, roubam a possibilidade de aprender a ler qualquer coisa. Os espertos e mal intencionados lêem para a vítima.

Deve-se ensinar a comunicação simples, sem trejeitos, sem o discurso subjetivo das sobrancelhas, das entrelinhas, para que o outro leia com objetividade e sem a chance de desconfiar e dizer: o que tem por detrás disto?

As aulas e as mensagens pela tv, pela Internet, passam pela revisão da percepção visual do ouvinte e chegam à racionalidade totalmente filtrados pela emoção. As emoções estão aos farrapos! A simplicidade de tudo o que se comunica pode ajudar a reverter muitos conflitos pessoais/digitais/virtuais.

Com a força e a sedução da comunicação e a necessidade social de modelos, a comunicação deita e rola por cima dos conceitos morais e religiosos de cada um. Ela faz e desfaz contextos. Ela usa tanto e tão bem o espaço, que deixa a impressão de que desajustado é aquele que não adotou o que ela dita como regra. Muitos se culpam e se discriminam como um ser fora de moda, ultrapassado/ conservador, fundamentalista, quadrado, porque não se enquadrou nas discrepâncias morais, sociais, religiosas, educacionais imperativas da minoria.

Esta é a Era da mentira! Que também começou no Édem. O pai da mentira todo mundo sabe quem é! Não sabe? Ele é dissimulado, insistente, mascarado, iluminado, se apresenta como “um anjo de luz” para enganar, perverter e conquistar, se pudesse “até os escolhidos” O escolhido é você, somos nós, premiados para viver “num país tropical, abençoado por Deus”, fantástico, lindo, mas, infelizmente, com graves erros na educação.

A geração que está chegando agora, com a agenda, a mochila e a bolsa de fraldas para a matrícula numa escola, com alguns meses de vida, precisa urgentemente de educadores para iniciar a obra educacional já com atraso. O Brasil estampou uma estatística ridícula de todos os tipos de analfabetismos que pesa nas costas da sociedade, porque o resultado do fracasso respinga em todos os setores. Se a educação é abaixo da crítica… o que dizer da autocrítica?

Há esperança, mas falta coragem. Lares, igrejas, escolas, ongs do bem, precisam tomar a posição na dianteira para afastar minorias do mal, barulhentas, mas empreendedoras que pretendem ocupar o vazio da falta de diálogo em casa, das regras equivocadas em nome da religião, do currículo distorcido das universidades, das propostas indecentes e do assédio imoral da pedagogia de certas escolas. “Sobram” professores, faltam educadores!

Ivone Boechat

Ivone Boechat

É natural do Estado do Rio de Janeiro, Educadora, Autora de 16 livros, membro da Academia Duquecaxiense de Letras e Artes de Duque de Caxias-RJ. Recebeu a Medalha “Lux in Tenebris” do Sindicato dos Professores do Estado do Rio de Janeiro. PhD – Psicologia Educação e Consultora em Educação

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