{"id":186,"date":"2020-04-24T22:12:42","date_gmt":"2020-04-24T22:12:42","guid":{"rendered":"https:\/\/braziliantribune.com\/news\/?p=186"},"modified":"2020-06-10T15:18:32","modified_gmt":"2020-06-10T15:18:32","slug":"socorro-meus-netos-estudam-numa-escola-moderna-por-ivone-boechat","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/braziliantribune.com.br\/news\/socorro-meus-netos-estudam-numa-escola-moderna-por-ivone-boechat\/","title":{"rendered":"Socorro, meus netos estudam numa escola moderna &#8211; por Ivone Boechat"},"content":{"rendered":"\n<p>Constantemente, incessantemente, ouvem-se agress\u00f5es \u00e0 Escola P\u00fablica tradicional como se ela fosse um aparelho com manual mofado para a fabrica\u00e7\u00e3o de monstros conservadores. Sobrevivente feliz desse \u201ctipo\u201d de escola, sou testemunha ocular, porque estudei nela e quero relatar o que se passava ali.<\/p>\n\n\n\n<p>O hino da Escola era lindo, foi composto por um pai de aluno. As datas c\u00edvicas n\u00e3o passavam em branco. A Escola tinha um calend\u00e1rio de comemora\u00e7\u00e3o de todas as datas c\u00edvicas!<\/p>\n\n\n\n<p>Estud\u00e1vamos, sim, numa cartilha de modelo \u00fanico, considerada, hoje, como sucata antipedag\u00f3gica, quadrada, boba, sem cores, barata, mesmo assim, nem todos tinham acesso a ela, houve casos em que o aluno conseguia uma toda despencada, mas a encapava e conseguia recuper\u00e1-la, porque aquela cartilha era preciosa para ele&#8230;A turma inteira aprendia a ler.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sala de aula, havia um \u201cquadro-negro\u201d, desbotado, dividido ao meio, porque eram duas turmas de s\u00e9ries diferentes na mesma sala. N\u00f3s aprend\u00edamos a respeitar o espa\u00e7o do outro! Ah! N\u00e3o posso me esquecer&#8230; havia disciplina&#8230;Quase ningu\u00e9m tinha transferidor e compasso, mas \u00e9ramos capazes de reconhecer o compasso das m\u00fasicas e sab\u00edamos transferir carinho. Havia aula de m\u00fasica, trabalhos manuais, e aprend\u00edamos a fazer bainhas, a pregar bot\u00f5es e a costurar as roupas das bonecas. Aprendemos a gostar de artes! A gin\u00e1stica era r\u00edtmica, ao som de m\u00fasica cl\u00e1ssica! Aprendemos a gostar das artes! Discut\u00edamos os autores.<\/p>\n\n\n\n<p>O material escolar se resumia em dois ou tr\u00eas cadernos finos, l\u00e1pis nem sempre coloridos. Poucos possu\u00edam uma caneta a tinta&#8230;dava status&#8230;era o m\u00e1ximo! Na minha Escola havia um coral e cant\u00e1vamos em latim, franc\u00eas e ingl\u00eas. Brinc\u00e1vamos no recreio com petecas, bolas, pi\u00f5es. O recreio era maior, brinc\u00e1vamos de roda. Faz\u00edamos pe\u00e7as de teatro. Quem tinha um instrumento musical levava para se apresentar nas festas da Escola!<\/p>\n\n\n\n<p>Boas maneiras, \u00e9tica, eleg\u00e2ncia ao falar, treino ortogr\u00e1fico eram comuns. Nossa letra n\u00e3o era um garrancho, t\u00ednhamos caderno de caligrafia. O livro para estudo da l\u00edngua portuguesa tinha uma antologia dos poetas brasileiros. At\u00e9 hoje sei de cor Augusto dos Anjos (quase ningu\u00e9m hoje sabe que ele existiu) Olavo Bilac, Machado de Assis, Casimiro de Abreu, Castro Alves e muitos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Como vai a Escola P\u00fablica moderna hoje ?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Constantemente, incessantemente, ouvem-se agress\u00f5es \u00e0 Escola P\u00fablica tradicional como se ela fosse um aparelho com<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1241,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"class_list":["post-186","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/braziliantribune.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/braziliantribune.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/braziliantribune.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/braziliantribune.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/braziliantribune.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=186"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/braziliantribune.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1322,"href":"https:\/\/braziliantribune.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186\/revisions\/1322"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/braziliantribune.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1241"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/braziliantribune.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/braziliantribune.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/braziliantribune.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}