Midterms 2026: Brasileiros nas Urnas e nas Cadeiras do Legislativo Americano
NOTA EDITORIAL
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Da Flórida a Massachusetts, a comunidade brasileira-americana marca presença tanto como eleitora quanto como candidata nas eleições de 3 de novembro
Washington D.C. / Boston / Danbury — 30 de outubro de 2026
Os Estados Unidos realizam suas eleições de meio de mandato no dia 3 de novembro de 2026. Os eleitores vão às urnas para eleger todos os 435 membros da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado, com resultados que determinarão o controle do Congresso e moldarão os dois últimos anos do governo do presidente Donald Trump.
No Senado, os republicanos partem para a disputa com 53 cadeiras contra um bloco democrata de 47. Para assumir o controle, os democratas precisariam de um ganho líquido de três cadeiras na Câmara e quatro no Senado. O novo Congresso toma posse no dia 3 de janeiro de 2027.
As chamadas midterms são historicamente interpretadas como um termômetro da popularidade do presidente em exercício — e, neste ciclo, ganham uma dimensão particular para a diáspora brasileira nos Estados Unidos.
O que está em disputa
Além das 435 cadeiras da Câmara e de 35 das 100 vagas do Senado, a votação também incluirá disputas para governador e outros cargos estaduais e locais. As eleições de meio de mandato nos EUA são vistas, de forma ampla, como um indicador da avaliação do governo presidencial.
A eleição, porém, não escolherá o próximo presidente, cuja disputa está prevista para 2028.
Brasileiros candidatos: nomes que representam a diáspora
Muito além de eleitores, membros da comunidade brasileira radicados nos Estados Unidos passaram a ocupar cadeiras nas assembleias legislativas estaduais, consolidando uma presença crescente na política americana.
Atualmente, cinco brasileiros-americanos exercem o mandato de deputado estadual: Priscila Sousa, Rita Mendes e Danillo Sena em Massachusetts, Farley Santos em Connecticut e Alice Mann em Minnesota.
Priscila Sousa — Massachusetts
Nascida em Ipatinga, Minas Gerais, Priscila Sousa é deputada estadual pelo Partido Democrata, representando o 6.º Distrito de Middlesex na Câmara de Massachusetts desde janeiro de 2023.
Ela é candidata à reeleição nas eleições de novembro, sem oponente em seu distrito. As eleições legislativas nos Estados Unidos são distritais, e cada parlamentar disputa os eleitores apenas de determinada região. Em declarações anteriores à imprensa, a deputada destacou a importância de atrair mais cidadãos de origem brasileira para participar da política americana, com o objetivo de ampliar a representatividade da diáspora nas instâncias de poder.
Roberto Alves — Danbury, Connecticut
Roberto Alves, prefeito de Danbury e presidente do Partido Democrata do estado de Connecticut, venceu sua própria disputa pela reeleição. Nascido em Portugal e criado no Rio de Janeiro, Alves chegou aos Estados Unidos ainda criança e se naturalizou americano em 2017. Em 2023, tornou-se o primeiro prefeito democrata de Danbury em mais de duas décadas.
A campanha ocorreu em meio a um diagnóstico de linfoma do próprio Alves, que afirmou que seu prognóstico é positivo e que continuaria a exercer todos os seus mandatos e responsabilidades.
Farley Santos — Connecticut
Deputado estadual de Connecticut e amigo de Roberto Alves, Farley Santos nasceu em Minas Gerais e veio para os Estados Unidos com sete anos. Ele também está em campanha neste ciclo eleitoral, representando seu distrito como candidato democrata.
A comunidade brasileira como eleitorado
Segundo dados da Justiça Eleitoral brasileira, nas eleições de 2026 aproximadamente 265 mil brasileiros estavam aptos a votar nos Estados Unidos — um crescimento de cerca de 45% em relação a 2022. Esse número se refere ao eleitorado brasileiro para as eleições presidenciais do Brasil, mas ilustra a magnitude da diáspora estabelecida no país.
A comunidade brasileira nos EUA é considerada a maior fora do Brasil, com cerca de 2,2 milhões de brasileiros. Os estados com maior presença são Flórida, Massachusetts, Nova Jersey, Califórnia e Nova York.
A escolha do local de votação para as eleições brasileiras de 2026 em Nova York levou em conta, entre outros fatores, a preocupação da comunidade com a presença da polícia de imigração dos Estados Unidos, o ICE (Immigration and Customs Enforcement). O clima de apreensão em torno da política migratória americana permeia o cotidiano de parte da diáspora, tornando as midterms ainda mais relevantes para esse grupo.
A conexão entre Brasil e EUA na disputa
As eleições americanas ganharam repercussão adicional no Brasil em razão de declarações de candidatos relacionadas a figuras da política brasileira. Isaiah Martin, candidato democrata ao Congresso pelo Texas, afirmou que deportaria Flávio Bolsonaro — que chegou aos Estados Unidos em 28 de outubro — no primeiro dia caso os democratas tivessem poder para fazê-lo. A declaração representa uma posição de campanha, não uma decisão oficial sobre a situação migratória do brasileiro.
A revelação recente de uma proposta americana entregue ao Brasil em outubro de 2025 torna essa intersecção ainda mais evidente. Entre os 21 pontos colocados sobre a mesa estavam compras de aeronaves Boeing, minerais críticos e o compromisso de que o Brasil realizaria eleições “livres e justas” em 2026 sem restringir arbitrariamente a participação de “dissidentes políticos”.
Por que as midterms importam para os brasileiros nos EUA
As eleições de meio de mandato são amplamente consideradas um referendo sobre o desempenho do presidente em exercício. Para os brasileiros que vivem nos Estados Unidos — tanto os cidadãos americanos com direito a voto quanto aqueles em processo de regularização —, o resultado do pleito pode ter impacto direto em questões como política de imigração, legislação trabalhista e relações diplomáticas entre Washington e Brasília.
Desde o início da atual administração Trump, medidas anti-imigração e ameaças de deportação em massa criaram um clima de “muita apreensão” entre a comunidade brasileira que vive nos EUA, segundo o ativista Álvaro de Castro Lima, fundador do Instituto Diáspora Brasil.
A composição do Congresso que emergirá das urnas no dia 3 de novembro determinará, ao longo dos próximos dois anos, o grau de influência do Executivo sobre temas sensíveis à diáspora — e poderá abrir ou fechar espaço para políticas mais favoráveis aos imigrantes.
Fontes
- ND Mais — Eleições nos EUA em 2026: quem são os candidatos e o que será decidido em 3 de novembro? (ndmais.com.br, 29/10/2026)
- Rádio Senado — Eleitores dos Estados Unidos escolhem seus deputados e senadores no dia 3 de novembro (senado.leg.br, 29/10/2026)
- Washington Brazil Office — Depois de outubro, novembro: por que as midterms importam ao Brasil (braziloffice.org, 16/10/2026)
- Outlook India — US Midterms 2026 Explained: How Voting Works And Who Controls Congress (outlookindia.com)
- Mappr — The 2026 US Midterms, Mapped: The Battle for Congress (mappr.co)
- Exame — Brasileiros crescem na política dos EUA e alcançam cargos como prefeito e deputado (exame.com, 21/09/2024)
- Frontline / Fi2W — As U.S. Brazilian Community Grows, so Does Its Political Engagement (fi2w.org)
- Ballotpedia — Priscila Sousa (ballotpedia.org)
- CT Mirror — Roberto Alves, CT Democratic chair and Danbury mayor, has lymphoma (ctmirror.org)
- CT Mirror — Connecticut’s governor and Democratic state chair framed the blue wave (ctmirror.org)
- Itatiaia — Votação de brasileiros em Nova York muda de local por receio do ICE (itatiaia.com.br, 2026)
- NC News — Após vitória de Lula, procura de brasileiros por vistos para os EUA dispara (ncnews.com.br, 2026)
- Brasil de Fato — Medidas anti-imigração e ameaças de Trump criam apreensão na comunidade brasileira nos EUA (brasildefato.com.br, 2026)
- Senado Federal / Itamaraty — Estimativas da comunidade brasileira nos EUA (documento legis.senado.leg.br)
- Americas Quarterly — Brazil: Meet the Candidates 2026 (americasquarterly.org, 2026)
- Al Jazeera — US midterms 2026: All you need to know in maps and charts (aljazeera.com, 2026)