MPF investiga esquema milionário: clínica médica e hospital infantil teriam sido usados para desviar dinheiro pelo Banco Master, diz investigação
A operação deflagrada pelo Ministério Público Federal para investigar o Banco Master aponta que a instituição financeira teria desviado recursos por meio de contratos ligados a uma clínica médica e a um hospital infantil, usados como parte de um esquema de fraude em operações com dinheiro público. De acordo com as investigações, os procuradores identificaram que esses estabelecimentos de saúde apareciam como destinatários ou intermediários de valores que, na prática, não correspondiam a serviços efetivamente prestados, funcionando como engrenagens de um sistema desenhado para mascarar a verdadeira destinação do dinheiro. grandeponto.com
Segundo o MPF, a apuração gira em torno de suspeitas de que o Banco Master tenha participado de um esquema estruturado de desvio que pode alcançar cifras bilionárias, com movimentações que envolvem fundos de investimento e empresas ligadas a sócios e executivos do conglomerado financeiro. A clínica médica e o hospital infantil entram nesse contexto como peças centrais para conferir aparência de legitimidade a contratos e pagamentos, permitindo que recursos fossem escoados sob o pretexto de despesas na área de saúde, em um modelo típico de uso de empresas de fachada ou de estruturas empresariais capturadas para fins ilícitos. Documentos e relatórios analisados pelos investigadores indicam que, em diversos casos, a natureza e o volume dos serviços supostamente contratados não se compatibilizavam com a realidade operacional das unidades de saúde envolvidas, o que reforçou a suspeita de simulação contratual. tmc.com
A operação inclui ainda pedidos de bloqueio de bens e valores associados a pessoas físicas e jurídicas ligadas ao banco, como forma de tentar resguardar o erário e garantir eventual ressarcimento dos cofres públicos em caso de condenação futura. Mandados judiciais de busca e apreensão foram cumpridos em endereços relacionados ao grupo e a seus dirigentes, em busca de evidências que possam detalhar o fluxo do dinheiro, esclarecer quem se beneficiou diretamente dos desvios e comprovar a participação de cada investigado no arranjo financeiro apontado pelo Ministério Público. A partir desse material, os procuradores pretendem reconstruir a trilha das operações, relacionando contratos, transferências e movimentações contábeis para mostrar como a clínica e o hospital infantil foram incorporados ao esquema como elementos voltados à ocultação e à lavagem dos recursos desviados. grandeponto.com
As suspeitas descritas nas decisões judiciais e nas manifestações do MPF indicam que o uso de estruturas ligadas à saúde pública ou privada, especialmente instituições que evocam sensibilidade social, como um hospital infantil, teria sido estrategicamente escolhido para reduzir a percepção de risco e dificultar a fiscalização externa. O caso também levanta questionamentos sobre os mecanismos de controle e compliance dentro do sistema financeiro e sobre a capacidade de órgãos reguladores detectarem com rapidez o uso recorrente de contratos na área de saúde como instrumento para movimentar grandes somas sem a devida correspondência em serviços. Em meio ao avanço das diligências, o Ministério Público trabalha com a possibilidade de responsabilização por crimes como fraude, desvio de recursos e lavagem de dinheiro, a depender do aprofundamento das provas e da confirmação da tese de que a clínica médica e o hospital infantil foram deliberadamente inseridos na engrenagem do desvio para beneficiar o Banco Master e seus dirigentes. tmc.com